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História do Yoga e sua chegada ao Brasil

2.000.000 – A região que hoje é o Paquistão é habitada por hominídeos a dois milhões de anos segundo o Departamento de Arqueologia da Universidade de Sheffield e o arqueólogo Tim Murray em seu livro Time and Archaeology na página 35.

500.000 – Em 1982 em Madhya Pradesh, foram encontrados fósseis de um homo erectus.

75.000 – Em Tamil Nadu foram encontrados fosseis de homens com características anatômicas do homem contemporâneo: homo sapiens.
12000 – Presume-se que começam a ser criados os primeiros assentamentos permanentes na índia.

9000 – Em Madhya Pradesh foram encontrados indícios que confirmam o mais antigo assentamento definitivo.

7500 – Em 1974 foram descobertos sítios arqueológicos do que está sendo considerado os precursores do vale indu. O sítio é chamado de Mehrgarh e fica na região chamada Balochistão no Paquistão.  [Jarrige, C.; J.F. Jarrige, R.H. Meadow e G. Quivron, Relatórios do sítio arqueológico de Mehrgarh, 1975 a 1985; from the Neolithic to the Indus Civilization].

3300 – Começo confirmado do crescimento da civilização do vale do Indu.
o    Escritos antigos
o    Odontologia
o    Comércio com outros povos da Ásia Central, platô iraniano, costa da pérsia, mesopotâmia, etc.
o    Grandes banhos públicos
o    Banheiros dentro das casas, com sistema de esgoto subterrâneo.
o    Água dentro das casas
o    Arquitetura, planejamento urbano e outras tecnologias que os ocidentais só conheceriam muitos séculos depois.

Até onde a arqueologia pode chegar consta que foi nesta civilização que floresceu o Yôga. Em uma tradição matriarcal, sensorial e naturalista. Em uma época muito próxima surge o sámkhya e o tantra.
A mitologia deposita o crédito da criação do Yôga a um bailarino que desenvolveu técnicas para melhorar sua arte. Essas técnicas foram tão eficientes que catapultaram os que as faziam para níveis ampliados de consciência e percepção.

Este bailarino ganhou o título de Natarája, rei dos bailarinos.

Possivelmente nesta época esta tradição tinha outro nome que se perdeu junto com a civilização que ali habitava. Yôga é um termo sânscrito que é uma língua ariana. O Yôga foi sendo passado através do parampara, que literalmente significa um depois do outro e designa o costume da transmissão oral.
Se existiu algum escrito sobre o yôga desta época ele pereceu ou ainda não foi encontrado.

2500 – Começam as invasões arianas
Arqueólogos conseguiram encontrar indícios de vinda de arianos da região de andronovo (hoje Kazaquistão) o que faz sentido, já que se sua origem é a Europa setentrional eles passariam pela atual Rússia vindo para o sul para o Kazaquistão, Afeganistão, Paquistão, Índia.

Não foi encontrada nenhuma representação de cavalos no vale do indu, o que contrasta com a cultura do cavalo, carros de guerra, ritos e vida rural descrita no rigvêda. O que demonstra que a cultura ariana é estrangeira a do vale do indu.
Começa a miscigenção com o povo do vale do indu.

1500 – Últimas vagas da invasão ariana chegam [DeRose, Origens do Yôga antigo pg 60]

O Yôga e as escolas shaktas entram no ostracismo, mantido por poucas pessoas.

1400 – É a data do manuscrito do rigvêda mais antigo encontrado.

1000 – Foi instituído o sistema de castas, para evitar a miscigenação dos povos.

O termo varna literalmente quer dizer cor. Quanto mais branco, maior era a casta. Elas foram divididas em Brahmanes, Kshatryas, vaishnas e sudras. Apesar da medida, isso não impediu que os povos se fundissem e hoje em dia todos na índia tem pele escura. É curioso o fato de que os áryas venceram através da espada e os povos do vale do indo através da genética.

800 – Começam a ser escritas as Upanishads. As upanishads são os comentários dos vêdas. Algumas delas falam sobre yôga, mas somente sobre fragmentos e técnicas esparsas. A maior parte do Yôga ainda é transmitido de forma oral.

563 – Nasce em um principado onde hoje é o Tibbet, Siddharta Gautama que depois viaja pelo norte da índia buscando encontrar a solução para os sofrimentos humanos, aprende yôga, sámkhya e funda sua própria linha de pensamento e fica conhecido como buddha (o iluminado).

500 – Toda a região da Índia está dividida em 16 principados que lutam incansavelmente entre si por território. Começa a era dos maharájas.

410 – Pelas incansáveis lutas internas os principados acabam virando somente quatro.

350 – O mahábhárata é escrito, possivelmente contando a história da luta entre os 16 principados.

340 – O Mahárája Maghada conquista os territórios e os unifica, mas o território ocupado não é o mesmo dos 16 reinos de antes.

326 – Alexandro Magno: Com as eternas lutas internas, não é difícil a um conquistador externo tomar o poder. Alexandre Magno vence o Rei Puru na Batália de Hydaspes, no território que hoje é o Paquistão. O sistema político grego e depois o persa tiveram grande impacto na cultura política hindu.

300 – Yôga Sútra: é escrito o Yôga Sútra por um sábio chamado Pátañjali. Consta que além da filosofia ele também era matemático, gramático e médico. Até então não se tem notícia de um outro sistema completo de yôga. O que havia nas upanishads eram fragmentos de técnicas e fragmentos filosóficos, mas não um sistema completo. Pátañjali formalmente arianizou o yôga assim ele foi incorporado como um dos darshanas do hinduísmo, um dos pontos de vista pelo qual o hinduísmo pode ser vivenciado. Sem Pátañjali, talvez o yôga tivesse sido perdido para sempre. Apesar de ter tirado do berço do yôga a tradição matriarcal e introduzir a tradição patriarcal, Pátañjali fez o que pode pelo yôga da sua época e merece nosso respeito por ter conseguido preservar a tradição dos povos antigos. Até então o Yôga tinha uma história de tradição samkhya-tantra de pelo menos 3000 mil anos. Com a sistematização de Pátanjali, o yôga torna-se de tradição samkhya-brahmachárya o que iria perdurar até os dias de hoje.

275 – Chandragupta unifica vários territórios e avança sobre o terreno persa criando um vasto reino denominado Mayúra. Seu império sobreviveu até 100 anos após a sua morte e só foi perdido pelos seus netos.

100 a 1700 – a Índia passa pelas mãos de 17 Impérios, estrangeiros e nativos. Cada povo impondo seus costumes, língua e tradições. Tudo isso teve impacto sobre o Yôga e a forma como ele era interpretado.

788 – Shankarachárya não tinha ligação direta com o Yôga, mas o influenciou já que ele viajou por toda a índia divulgando a escola adwaita, não dual, de vêdánta. Seu trabalho foi tão intenso que o vêdánta é usado até hoje nas escolas modernas de Yôga. A troca do sistema filosófico do Yôga de sámkhya para o vêdánta marca a mudança de era do Yôga antigo para o Yôga Moderno.

1000 – Matsyêndranatha é considerado um dos oito mahásiddhas é o fundador da escola kaula de tantrismo negro atenuado. Ele faz parte da tradição dos nathas que é um tipo de shivaísmo. Depois da invasão ariana, as escolas shaktas são mantidas através do gupta vidya já que os tântricos foram perseguidos e mortos.

Agora, quase 2000 anos depois, era esperado que não houvesse mais perseguições. A tradição oral dos tantras começa a ser passado para o papel o que faz vários historiadores erroneamente pensarem que o tantra surgiu no séc. XI d.C. Os nathas, foram perseguidos e mortos e o tantra voltou ao gupta vidya. Gorakshanatha, discípulo de Matsyêndra natha codificou o Hatha Yôga a partir do Yôga clássico de Pátañjali. Ele escreveu um livro denominado Hatha Yôga que foi queimado junto com seu autor. Um discípulo de Goraksha natha, muitas décadas depois tentou reescrever de memória o tratado de Hatha Yôga de seu mestre, é claro que depois de várias décadas ele somente lembrou-se de algumas partes que deram origem ao Hatha Yôga Pradipika.

1400 – Com a queda de Constantinopla, o império Otomano fecha a rota através do estreito de bósforo que era usada pelo ocidente para buscar especiarias no oriente. Isso forçou os povos europeus a acharem rotas alternativas ao oriente. Assim os portugueses chegam no final do século XV as Índias através de rotas marítimas que contornam o continente africano e desembarcam em Goa que até pouco tempo atrás era uma região da índia onde se falava português.

1526 – Invasão mongol. Tomou toda a Índia, enfraqueceu perto de 1700 e foi oficialmente extinto em 1857 pela Rebelião Indiana. O império Mongol literalmente patrocinava a cultura hindu. Fez questão de manter as tradições, língua e cultura do povo desde que mantivessem o pagamento de impostos em dia. Foi durante a dinastia mongol que o Tah mahal foi construído em tributo ao amor de um Mahárája a sua esposa.

1617 – O imperador mongol Jahangir permite que a empresa britânica Companhia das Índias faça comércio com o império.

1700 – Cristianização do Yôga, influência da ginástica britânica no yôga.
Através de uma perícia política por parte dos ingleses eles formam alianças com os Mahárájas explorando a ganância deles. Apoio este que depois se tornaria caro quando 51% da Companhia das Índias foi tomado pela coroa britânica.
1757 – A Coroa Britânica através de uma manobra política toma a Companhia das Índias e aproveitando a influência sobre os Mahárájas expande o império britânico para sobre as terras hindus.

1826 – Charles Masson descobre harappa.

1836 – Nasce Ramakrishna que viria a se tornar um dos grandes mestres iluminados da Índia, resgatando a escola dakshinacharatantrika (via seca).

1853 – Alexander Cunningham encontra as ruínas descritas no diário de Masson.

1893 – Vivêkánanda, discípulo de Ramakrishna viaja para o congresso de Religiões em Chicago e apresenta uma visão sem dogmatismo ou proselitismo, dizendo que todas as religiões poderiam coexistir. Antes de ir para Chicago já tinha passado pela China, Japão, Europa, etc. Por onde passou ajudou a fundar a Vedanta Society espalhando o vedânta pelo mundo, assim como fez Shankarachárya. Desta forma a visão que ficou impregnada de yôga era o analisado pela ótica espiritualista do vêdánta.

1924 – Chega ao Brasil a Família Macheville, cujo filho, Léo Costet de Mascheville iria influênciar o yôga no Brasil. Fundou vários grupos e ordens filosóficas pelo Brasil, após a morte do pai, vai para uma pequena estada no Uruguai.

1947 – Índia independente pelas mãos de várias pessoas, o mais lembrado é Gandhi. Criado o Estado Paquistanês que abrange a região do Vale do Indu.

1953 – Léo Costet de Mascheville, agora Sêvánanda Swámi, funda em 19 de novembro o monastério e ashram de sarva yôga Amo-Pax inaugurando oficialmente a história do Yôga no Brasil sob um clima pesadamente monástico e místico.

1960 – Caio Miranda, escreve o primeiro livro sobre yôga em língua portuguesa de toda a comunidade lusôfana. Funda próximo a 20 centros de Yôga e inaugura o yôga como profissão tirando-o do clima monástico de outrora.

1960 – Começa a lecionar Yôga um jovem promissor chamado DeRose.

1962 – Caio Miranda escreve o livro “Hatha yôga a ciência da saúde perfeita” onde ele define Yôga como sendo a filosofia, algo mais profundo e yôga a prática das técnicas. Um conceito errado, mas que acabou por se cristalizar na cultura brasileira.

1964 – Entra a ditadura militar no Brasil, como Caio Miranda era general a sua grafia para o termo yôga é adotada como certa.

1964 – DeRose funda o Instituto Brasileiro de Yôga.

1969 – DeRose escreve seu primeiro livro: Prontuário de Yôga Antigo.

1969 – Ocidentais invadem a Índia querendo comprar um espiritualismo, movidos pelo movimento hippie. Olham e entendem tudo através de seus paradigmas e levam o yôga e várias outras filosofias orientais para os caminhos tortuosos de terapias e utilitarismo mercantilista.

1975 – DeRose viaja pela primeira vez para a Índia confirmando e garimpando os fragmentos que lhe permitiram a sistematização do Yôga praticado a mais de 5000 pelo povo do Vale do Indu. Resgatando uma herança cultural que estava quase extinta. Ao voltar ao Brasil, funda a União Nacional de Yôga com o apoio de vários outros professores.

1994 – Depois de 20 anos de viagens a índia, DeRose funda a Primeira Universidade de Yôga do Brasil.

2000 – A partir deste ano, é instituido em 12 estados brasileiros o Dia do Yôga, no dia 18 de fevereiro, aniversário de Ramakrishna e de DeRose.

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História do Yoga e o Yoga Moderno

O que é o Yoga

O Yoga é uma prática que procura trabalhar o ser humano como um todo. Pela sua forma holística de encarar a pessoa, o Yoga, é uma prática com efeitos marcantes ao nível do corpo, mas também da mente, das emoções, sendo uma prática que pode ter um efeito transformador em todos os aspectos da vida física e psicológica de quem pratica.

Segundo Feurstein: “A palavra Yoga é etimologicamente derivada da raíz verbal yuj, que significa ‘conjugar, juntar, jungir’, e que pode ter muitas conotações, como as de ‘união, conjunção de dois astros, regra gramatical, empenho, ocupação, equipe, equipamento, meio para um fim’”. Assim, podemos entender o Yoga como a união entre o corpo e a mente ou como uma ligação do nosso eu mais superficial às partes mais profundas do nosso ser. Há também quem sinta o Yoga como uma forma de unir o nosso eu individual ao Cosmos, ao Universo ou a uma inteligência superior ou divina. O Yoga é uma prática individual, como tal, a interpretação que cada um dará às suas experiências é pessoal, já que cada um sente e vivencia as coisas de uma forma única.

Raízes do Yoga
O Yoga é uma prática cujas raízes se encontram na Índia, há mais de 5000 anos atrás, segundo indicam as pesquisas arqueológicas. Sabemos que o Yoga estava presente na cultura Indiana pelas referências que são feitas a este nos Vedas – os livros sagrados do Hinduísmo que contém os textos mais antigos desta cultura – e nos Upanishads, os comentário aos Vedas que contém as bases dos seus ensinamentos.

Mas, nestes livros, as referências feitas ao Yoga não são suficientes para sabermos ao certo o que constituía uma prática de Yoga nesta época. Tradicionalmente os ensinamentos eram transmitidos por via oral, por isso estes livros não pretendiam registrá-los, pelo menos não de uma forma óbvia. Acredita-se que os Vedas foram escritos por pessoas em estados de iluminação e com uma linguagem poética e simbólica, por isso, quem quisesse compreender alguns ensinamentos neles contidos, teria que recorrer à ajuda de um mestre iluminado, para conseguir decifrar as mensagens contidas no texto.

Swami Satyanananda, fundador da Bihar School of Yoga, uma das maiores e mais reconhecidas escolas de Yoga dos nossos dias diz-nos que “a única coisa que falta nos Upanishads é um tratamento sistemático e sumário dos caminhos do yoga; estes são uma conglomeração de idéias profundas misturadas com outros tipos de informação. De fato podemos dizer que os Upanishads pretendem mais inspirar do que instruir.”, porque estas instruções seriam sempre dadas pelo mestre ou Guru. (1981, p. 129).

O Yoga sutra
A primeira obra escrita que se conhece sobre Yoga, o “Yoga Sutra”, foi escrita por Patanjali. Mas esta obra, apesar de procurar ser uma exposição do Yoga, também não contém ensinamentos óbvios que alguém possa seguir ou que nos possam dar uma idéia exata daquilo em que consistiria uma prática de Yoga. Mais uma vez Patanjali respeitou a tradição de que os ensinamentos concretos deveriam ser transmitidos oralmente e, por isso, esta obra é uma exposição mais genérica daquilo que é a prática do Yoga e do que esta nos poderia ajudar a alcançar. Nesta obra e, de acordo com alguns historiadores, devido à influência de Buda de quem Patanjali pode ter sido contemporâneo (não há um consenso quanto ao século concreto em que este autor viveu), é feita a primeira exposição de uma espécie de código de conduta moral que o praticante de Yoga deve seguir para a sua própria evolução. Este código tem ainda uma grande influência hoje em dia na maioria das escolas de Yoga e, tal como os ensinamentos de Buda, parece ter surgido numa época em que se vivia, na sociedade indiana, certa cultura de amoralidade. Assim, estas normas de conduta, tal como o caminho óctuplo que o Buda propôs, em que a conduta certa tem também um papel fundamental, serviram para tentar relembrar as pessoas de que o desenvolvimento espiritual não poderá estar dissociado do comportamento social, que deverá ser correto e fruto de uma ética que propõe um tipo de comportamento em que valores como a honestidade, a não violência, a verdade, a pureza, deveriam ser seguidos.

O surgimento do Yoga Moderno
Mas, na verdade, tudo indica que o Yoga dos nossos dias é muito diferente daquele que era praticado nesta altura. Uma socióloga de Cambridge, Elizabeth DeMichelis define como Yoga Moderno aquele que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos 150 anos principalmente nos países desenvolvidos e centros urbanos de todo o mundo. De acordo com esta sociológa que defende a sua tese no livro “History of Modern Yoga” publicado em 2004, um dos marcos na história do Yoga Moderno é a comunicação de Swami Vivekananda, no Congresso das Religiões em Chicago em 1883, quando este tinha acabado de chegar ao Ocidente, vindo da Índia, sua terra natal.

Vivekananda tinha vindo para o Ocidente com o objetivo de angariar fundos para contribuir para melhorar a vida na região pobre de onde era oriundo. Mas este Swami carismático e com fama de ter sido um brilhante orador, rapidamente se tornou popular nos Estados Unidos, tendo feito amizade com figuras importantes da sociedade americana que acabaram por ajudá-lo a divulgar os seus ensinamentos, facilitando o seu papel de pioneiro no ensino do Yoga no Ocidente. Uma destas figuras foi William James, um notável psicólogo, pioneiro dos estudos sobre a consciência e sobre a psicologia das experiências místicas e espirituais que foi influenciado pelos ensinamentos e teorias de Vivekananda e que, por sua vez, teve também uma forte influência deste. James escreveu o prefácio da obra mais importante de Vivekananda, o Raja Yoga, onde este usa uma metáfora de James, do espectro da luz, para descrever a consciência. Nesta obra, à semelhança da psicologia, Vivekananda afirma que “precisamos conhecer a natureza interna do homem, através da observação dos fatos que se passam lá dentro.” (2004, pg. 173) .

Segundo De Michelis, “o que Vivekananda fez foi adaptar as suas idéias e ensinamentos a condições mais completamente secularizadas e materialistas”. (p, 109), o que terá sem dúvida contribuído para a sua popularidade e contribuiu também para aquilo que esta investigadora considera serem os pilares do Yoga moderno. O seu livro Raja Yoga, publicado em 1896 marca o texto fundamental do Yoga moderno, neste Vivekananda fez uma revisão da história do Yoga, das suas estruturas, crenças e práticas, reformulando-as e tornando-as algo muito diferente das abordagens clássicas do hinduísmo.

Vivekananda era também ele próprio um espírito pragmático, assim, não teve dificuldades em adaptar os seus ensinamentos ao pragmatismo que também fazia parte da sociedade americana, especialmente nesta época de grande desenvolvimento tecnológico e utilitário em que “as pessoas queriam técnicas e métodos para atingir metas mais ou menos imediatas, práticas e racionais….foi neste contexto que o yoga começou a atrair mais e mais atenção.”

Características do Yoga Moderno
Assim o conhecimento ou compreensão de Deus e do Eu, passaram a ser as metas dos 4 yogas que Vivekananda descreve, passando também a ser os objetivos de qualquer prática de Yoga moderno. Desta forma o Samadhi, considerado por Patanjali, o último estágio na evolução da consciência de um praticante, passou a ser quase um objetivo explícito das práticas. E o “Yoga torna-se uma ciência baseada em leis naturais, ou uma tecnologia espiritual para atingir o Samadhi.” (p. 143) .

De acordo com De Michelis (2004) um dos aspectos que caracteriza o Yoga moderno é a noção de que o praticante se vai auto-aperfeiçoando e melhorando enquanto pessoa, “estas recomendações não têm quaisquer semelhanças com o Yoga clássico e podem por isso ser individualizadas como características distintivas das formas modernas de yoga”. (p. 219), esta característica aponta também para uma certa psicologização do Yoga que tem vindo a ocorrer nos tempos modernos, em que o Yoga tem servido também como método de desenvolvimento pessoal e é cada vez mais visto como uma ferramenta de mudança psicológica.

Na verdade o Yoga, como produto cultural que é, não pode estar imune às necessidades e atitudes das sociedades em que se insere. Tal como afirma Timothy Mcall, editor médico de uma das mais reconhecidas publicações de Yoga, o Yoga Journal, (publicado há já várias décadas nos E.U.A) no seu completo livro Yoga as Medicine (2007), uma das principais características do Yoga, se não mesmo a principal, é justamente a sua capacidade de se modificar e adaptar às culturas e épocas em que se insere. E nem poderia ser de outra forma, uma vez que são as pessoas que o praticam, que o vivenciam, que o ensinam, o Yoga só pode mesmo existir e ter sucesso, enquanto corresponder às necessidades dessas mesmas pessoas, que assim o vão moldando.

Um exemplo da forma como o Yoga tem vindo sempre a adaptar-se às necessidades das sociedades em que está inserido pode ser encontrado no papel central que ocupa hoje o asana em praticamente todas as escolas de Yoga no mundo inteiro. Provavelmente há umas décadas ou séculos atrás o exercício físico não era tão importante para as pessoas já que estas, naturalmente, através do trabalho que iam fazendo no seu dia-a-dia encontravam várias formas de se exercitar, além de que levavam uma vida bem mais natural e com menos prejuízos para a saúde física. É com a generalização de um modo de vida cada vez mais sedentário que o exercício físico passa a ser fundamental para se preservar a saúde física e também mental, já diz o ditado: mente sã em corpo são. Assim, podemos observar que um dos textos clássicos do Yoga, o Hatha Yoga Pradipika, escrito na idade média (no século XIV, segundo indicam alguns historiadores) descreve muito poucos asanas (posições do yoga) sendo a grande maioria destas posições de pernas cruzadas, que se considera serem as mais indicadas para se fazer meditação ou pranayama (exercícios de respiração), apesar de reconhecer a existência de muitos mais.

Krishnamacharya, pode ter sido talvez uma figura marcante na disseminação e aceitação do asana enquanto figura central das práticas de hoje em dia, já que foi mestre de B.K.S. Iyengar, uma das figuras mais reconhecidas do Hatha Yoga no Ocidente, criando uma escola de ensino com o seu próprio nome e de Patabbhi Jois fundador da escola do Ashtanga Yoga. Estas duas escolas sempre deram uma grande importância ao corpo e ao trabalho corporal que ocupou sempre um lugar de destaque nas suas práticas e podem ser consideradas bons exemplos da forma como a crescente necessidade de um trabalho físico, ou corporal, nas sociedades de hoje em dia tem vindo a ser incorporado também em toda a prática do Yoga.

Mas, mesmo hoje em dia, aquilo que se faz no asana não é, de forma alguma, algo de estanque ou imutável. Existem cada vez mais estudos científicos acerca das influências do yoga e, uma boa parte destes, centra-se justamente nos seus efeitos físicos. Ao mesmo tempo, à medida que vão aparecendo cada vez mais praticantes, também é possível analisar cada vez melhor os efeitos desta prática num número cada vez maior de pessoas. E, por outro lado, também é verdade que o nosso conhecimento acerca da anatomia e fisiologia humanas também aumentaram. Assim, os bons professores e as boas escolas não são imunes a estas descobertas da ciência e vão por isso atualizando as suas práticas e as suas aulas em função destes conhecimentos.

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História da Yoga

Antes de falar sobre a história da Yoga ou do Yôga, como você preferir, é importante ressaltar a diferença que existe entre o conceito de religião ocidental e oriental.
No ocidente nós temos Deus como um ser que está acima de nós, no oriente Deus está dentro de nós. Por isso a yoga é uma pratica que coloca você em contato com Deus.
Como em tudo o que é muito antigo não existe uma data correta, em minhas pesquisas a origem da yoga varia de 5000 a.c. à 3000 a.c.

CONHEÇA MELHOR SOBRE A HISTÓRIA DA YOGA.
Pesquisa: Dra. Elaine Marini

Conta-se que esta filosofia foi revelada aos sábios iluminados durante os estados meditativos e a mais antiga evidência arqueológica foi encontrada no vale Indu, datando de 3.000 anos AC. Eram pequenas estatuetas esculpidas em pedra, que mostravam figuras humanas em poses de Yoga.

A primeira menção escrita da Yoga foi nos textos sagrados dos Vedas, cerca de 2500 anos AC. Posteriormente, de maneira mais consistente, consta dos últimos textos védicos chamados “Upanishads”, nos quais se origina a filosofia Vedanta. Essa filosofia tem em sua idéia central a unidade de todas as coisas, a realidade absoluta de Brahman (Deus), que pode ser encontrada em vida através da interiorização e da ação correta.

Mais adiante no tempo e, mencionada com mais corpo pelos textos dos Yoga Sutras escritos pelo sábio Patanjali, Yoga aparece também em dois grandes épicos, que datam de cerca de 600 AC – o Ramayana, escrito por Vamiki, e o Mahabharata, escrito por Vyasa, onde se inclui o Bhagavad-Gita. A Hatha Yoga é um tipo de Yoga. Ela ajuda a condicionar o corpo, deixando-o saudável e equilibrado. Seus efeitos também podem ser sentidos na mente, sob algumas formas entre elas as de: equilíbrio, prazer, paz e alegria.

Yoga Sutras:
Nos Yogas Sutras de Patanjali ficam definidos os oito passos da Yoga, que ajudam no processo de auto-realização, purificando o corpo e a mente, e aproximando o ser cada vez mais do objetivo final – a iluminação.

Os oito passos:
Yamas: não-violência, praticar a verdade, não roubar, moderação nas ações, ser desapegado.
Niamas: pureza, contentamento, austeridade, estudo das escrituras sagradas, viver na consciência de Deus.
Asanas: prática das posturas.
Pranayamas: harmonização da respiração.
Pratyahara: conduzir a mente, a interiorização, desconectando-a dos sentidos.
Dharana: concentração.
Dhyana: meditação.
Samadhi: super consciência, iluminação.

O significado da palavra Yoga:
O significado mais forte da palavra Yoga é união. O encontro do Ser / Eu (Jiva) com a Criação / Criador (Brahman). Desta união nasce a Consciência Cósmica, que libera o Homem dos conceitos de tempo e espaço e dualidade, trazendo à luz sua verdadeira natureza e origem. Existem muitos tipos de Yoga. Dividem-se, em primeira instância, em Karma Yoga, Bhakti Yoga, Jnana Yoga e Raja Yoga. Cada um destes caminhos leva à liberação e é apropriado aos diferentes perfis de personalidade.

Você pode notar, no dia-a-dia, certas diferenças no seu jeito de estar no mundo, de sentir, de conviver. Ora estamos mais devocionais, ora agimos como se só o intelecto contasse, ora estamos preocupados em agir… Mas, conforme nossa personalidade, um tipo de conduta sempre se sobressai. Veja o estilo predominante no qual você mais se encaixa:

Karma Yoga é a Yoga da ação.
Bhakti Yoga é a Yoga da devoção.
Janna Yoga é o caminho do conhecimento.

Raja Yoga é a Yoga “Real” que visa, por meio da meditação científica e de práticas objetivas e devocionais, trazer um desenvolvimento rápido e seguro ao chela (discípulo, aluno).

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